Linux não é Windows – parte 6 de 7
Aqui vai mais uma parte da tradução do texto “Linux is NOT Windows”. Já avisando que esta não é uma tradução minha, mas como ela está sob uma licença Creative Commons que permite cópia, distribuição e trabalhos derivados, eventualmente pode haver algum trecho adaptado.
Problema #6: Imitação versus Convergência
Um argumento muito usado pelas pessoas quando elas descobrem que o Linux não é um clone do Windows no qual elas insistem é que é isso que o Linux tem tentado ser (ou deveria ter tentado) desde que foi criado e que estão erradas essas pessoas que não reconhecem isso e não ajudam o Linux ser mais “Windows-like”. Eles tem muitos argumentos para isso:
O Linux veio da interface de linha de comando para a interface gráfica, uma tentativa clara de copiar o Windows.
Bela teoria, mas falsa: O sistema X original foi liberado em 1984, como sucessor do sistema W portado para o UNIX em 1983. O Windows 1.0 foi liberado em 1985. O Windows não foi considerado seriamente até a versão 3, liberada em 1990 – nesta época, o X Windows já estava há anos no estágio X11 que é usado até hoje. O Linux só apareceu em 1991. Então, o Linux não criou uma interface gráfica para copiar o Windows: ele simplesmente fez uso de uma que existia muito antes do Windows aparecer.
O Windows 3 mostrou o caminho para o Windows 95 – trazendo grandes inovações na Interface Gráfica que a Microsoft não igualou desde então. Ele trouxe novos & inovadores recursos: funcionalidade de Arrastar & Soltar; Barras de Tarefas e muitas outras. Todas elas obviamente copiadas pelo Linux.
Realmente. . . não. Todos os recursos acima existiam antes da Microsoft fazer uso deles. O NeXTSTeP em particular foi um avanço enorme (para a época) e é significativamente anterior ao Windows 95 – a versão 1 foi liberada em 1989 e a versão final em 1995.
Ok, Ok, então a Microsoft não foi a criadora original dos recursos que nós pensamos que seja o estilo Windows. Mas ela criou um estilo e o Linux vem tentando imitá-lo desde então.
Para ridicularizar isso, deveríamos discutir o conceito de evolução convergente. Isto é, como dois sistemas completamente diferentes e independentes desenvolvem-se ao longo do tempo tornando-se muito similares. Acontece o tempo todo em biologia. Por exemplo, tubarões e golfinhos. Ambos são (tipicamente) organismos marinhos comedores de peixes com o mesmo tamanho. Ambos têm nadadeiras dorsais e peitorais, caudas e perfis aerodinâmicos similares.
Entretanto, os tubarões evoluíram de peixes, enquanto os golfinhos evoluíram de um mamífero quadrúpede terreno. A razão de terem uma aparência muito similar é que ambos evoluíram para serem tão eficientes quanto possível para viverem em um ambiente marinho. Em nenhum estágio os pré-golfinhos olharam para os tubarões e pensaram “Wow, olhe essas nadadeiras. Elas funcionam bem. Vou tentar evoluir da mesma forma!”
Similarmente, é perfeitamente verdadeiro que os desktops antigos do Linux como o FVWM e o TWM eram interfaces gráficas simplistas. E que os desktops modernos como o Gnome & e o KDE com suas barras de tarefas e menus são visualmente atraentes. E sim, é verdade que eles são muito mais parecidos com o Windows do que costumavam ser.
O Windows 3.0 não tinha barras de tarefas que eu me lembre. E o menu Iniciar? Qual menu Iniciar?
O Linux não tinha um desktop moderno como o Windows. Nem a Microsoft também. Agora ambos têm. O que isso quer dizer?
Quer dizer que os desenvolvedores de ambos os campos procuraram formas de melhorar a Interface Gráfica, e porque existem somente um número limitado de soluções para o problema, ambos usaram métodos muito similares. Similaridade não prova ou implica imitação de forma nenhuma. Relembrar disso ajudará você a evitar perder-se no território do problema #6.
Linux não é Windows – parte 5 de 7
Depois de dias traduzindo o artigo “Linux is NOT Windows”, um amigo na comunidade diz que já existe uma versão em português dele. Como esta versão está sob uma licença Creative Commons, vou dar prosseguimento à série com a tradução desta versão, que está muito melhor que a minha.
Problema número 5: O mito do “amigável”
Esse é um grande mito. É um termo muito usado no mundo da informática “amigável”. Mas não é um bom termo.
O conceito básico é bom: Que o software seja feito com as necessidades do usuário em mente. Mas é sempre citado como um conceito único, o que não é.
Se você gasta sua vida toda processando arquivos texto, o software ideal para você será rápido e poderoso, permitindo que você produza muito trabalho com o mínimo de esforço. Atalhos simples de teclado e operação não dependente do mouse será de importância vital.
Mas se você muito raramente editar arquivos texto, e somente desejar escrever uma carta ocasional, a última coisa que você vai querer é se esforçar para aprender atalhos de teclado. Menus bem organizados e ícones claros nas Barras de Ferramentas serão seu ideal.
Claramente, o software projetado para as necessidades do primeiro usuário não será adequado para o segundo e vice-versa. Então, como pode algum software ser chamado de “amigável“, se todos nós temos diferentes necessidades?
A resposta simples é: Amigável é um nome equivocado, e que faz uma situação complexa parecer simples.
O que “amigável” realmente significa? Bem, no contexto no qual é usado software amigável significa “Software que pode ser usado com um nível razoável de competência por um usuário sem prévia experiência no software.” Isso tem o efeito indesejado de fazer com que aquela interface ‘ruim mas familiar’ cair na categoria de “amigável“.
Sub-problema número 5a: Familiar é amigável
Então é isto que temos no Editor de Textos mais amigável, você pode cortar e colar pelo uso de Ctrl-X e Ctrl-V. Totalmente não intuitivo, mas todos estão acostumados com essas combinações, então eles contam como uma combinação “amigável“.
Quando alguém usa o vi e descobre que se usa o “d” para cortar e o “p” para colar não considera “amigável“: Não é o que estamos acostumados.
Isto é superior? Na verdade é.
Com o método Ctrl-X, como você corta uma palavra do documento em uso? (Sem usar o mouse!)
Do início da palavra, Ctrl-Shift-Seta Direita para selecionar a palavra.
Então Ctrl-X para cortar.
O método vi? dw apaga a palavra.
E se quisermos cortar cinco palavras em uma aplicação Ctrl-X?
Do início das palavras, Ctrl-Shift-Seta Direita
Ctrl-Shift-Seta Direita
Ctrl-Shift-Seta Direita
Ctrl-Shift-Seta Direita
Ctrl-Shift-Seta Direita
Ctrl-X
E com o vi?
d5w
O método vi é muito mais versátil e na verdade mais intuitivo: “X” e “V” não são óbvios ou memorizáveis para os comandos “Cortar” e “Colar“, enquanto “dw” para “delete a word” (apague uma palavra), e “p” para “put it back” (ponha-a de volta) é perfeitamente direto. Mas “X” e “V” é o que todos conhecem, então embora o vi seja claramente superior, não é familiar. Logo, é considerado não amigável. Ou, em outras bases, familiaridade puramente faz com que uma interface parecida com o Windows seja amigável. E como nós aprendemos no problema número 1, o Linux é necessariamente diferente do Windows. O Linux sempre parecerá ser menos “amigável” que o Windows.
Para evitar o problema número 5a, tudo que realmente você tem que fazer é tentar se lembrar que “amigável” não significa “O que eu estou acostumado“: Tente fazer as coisas do seu jeito habitual, se não funcionar, tente trabalhar como um novato faria.
Sub-problema número 5b: Ineficiente é amigável
Isto é triste mas é um fato sem escapatória. Paradoxalmente, quanto mais afinco você tiver para usar uma funcionalidade de uma aplicação, mais amigável ela parecerá ser.
Isto é assim porque amigabilidade é adicionada a uma interface pelo uso de ‘chaves‘ simples e visíveis – quanto mais, melhor. Afinal de contas, se um novato for colocado em frente de um Processador de Textos WYSIWYG e lhe for pedido para tornar uma parte do texto em negrito, O que é mais provável:
* Ele pensará que “Ctrl-B” é o padrão usual;
* Ele procurará por dicas, e tentará clicar no menu “Editar” menu. Sem sucesso, ele tentará o próximo na coluna de menus: “Formatar“. O novo menu tem uma opção “Fonte“, o que parece ser promissor. E então a nossa opção “Negrito“. Sucesso!
Da próxima vez que você usar qualquer Processador de Textos, tente fazer todo o trabalho pelos menus: Sem usar teclas de atalho nem ícones das Barras de Ferramentas. Você se verá rastejando, pois todas as tarefas exigem uma quantidade de toques ou cliques do mouse.
Fazer software “amigável” desta forma é como colocar rodinhas na bicicleta: Ela não te deixa cair e te permite andar imediatamente, sem exigir nenhuma habilidade ou experiência. É perfeito para um iniciante. Mas ninguém pensa que todas as bicicletas devam ser equipadas com rodinhas: se você tiver uma bicicleta destas atualmente, posso apostar que a primeira coisa que você fará será removê-las por serem um estorvo desnecessário: Uma vez que você aprendeu a andar de bicicleta, as rodinhas são desnecessárias.
E da mesma forma, uma grande parte do Software para Linux é feita sem “rodinhas” – é feita para usuários que já tenham algumas habilidades. Além do mais, ninguém é um novato permanente: a ignorância tem vida curta e o conhecimento é para sempre. Então, o software é feito tendo em mente a maioria.
Isso pode parecer uma desculpa: Além do mais, o MS Word tem todos os menus amigáveis e todos os botões nas Barras de Ferramentas e tem teclas de atalho… O melhor de todos os mundos, certo? Amigável e eficiente.
Entretanto, isso precisa ser posto em perspectiva: Primeiro, as praticidades: tendo menus e Barras de Ferramentas e atalhos e tudo mais significa uma grande quantidade de código e não são como os desenvolvedores de Linux são pagos pelo tempo dispendido. Segundo, ainda assim não leva realmente em conta os usuários habilidosos: Pouquíssimos profissionais usam o MS Word. Encontre um programador que use MS Word? Compare com aqueles que usam emacs & vi.
Porque é assim? Primeiro, porque algumas condutas “amigáveis” excluem conduta eficiente: Veja o exemplo do “Cortar & Colar” acima. E segundo, porque muito da funcionalidade do Word está amarrada em menus que você tem que usar: Somente as funcionalidades mais comuns tem aqueles botões acessíveis na Barra de Ferramentas no topo. As funções menos usadas que também são vitais para usuários sérios não tem um acesso tão facilitado.
Algo a se ter em mente, entretanto, é que as “rodinhas” estão com freqüência disponíveis para o Linux: Elas podem não ser óbvias, mas freqüentemente estão disponíveis.
Pegue o mplayer. Você o usa para exibir um arquivo de vídeo digitando mplayer nome_do_arquivo em um terminal. Você avança e retrocede usando as teclas de setas e as teclas “PageUp” e “PageDown“. Isto não é excessivamente “amigável“. Entretanto, se ao invés você digitar gmplayer nome_do_arquivo você obterá uma interface gráfica com todos os botões amigáveis e familiares.
Para converter um CD para MP3 (ou Ogg): Usando a linha de comando, você precisa usar o cdparanoia para converter os arquivos para o disco. Então você precisa de um codificador… É uma luta, mesmo que você saiba exatamente como usar os pacotes. Então, instale algo como o Grip. É um “front-end” gráfico fácil de usar que usa o cdparanoia e os codificadores atrás dos bastidores para tornar realmente fácil “ripar” CDs, e tem ainda suporte CDDB para nomear os arquivos automaticamente para você.
O mesmo acontece para “ripar” DVDs: O número de opções para passar para o transcode é um pequeno pesadelo. Mas usando o dvd::rip para conversar com o transcode por você faz tudo ficar muito simples, processos baseados em interface gráfica que qualquer um pode fazer.
Então, para evitar o problema número 5b: Lembre que as “rodinhas” tendem a ser um extra no Linux, ao invés de serem automaticamente fornecidas com o produto principal. E algumas vezes as “rodinhas” simplesmente não podem ser partes do projeto.
Linux não é Windows – 4 de 7
Esta é mais uma parte da tradução deste texto aqui. Nesta parte, o autor fala sobre como o desenvolvedor open source sabe das necessidades do usuário final pois ele também é um deles e desenvolve o software para seu próprio uso, enquanto que o desenvolvedor proprietário desenvolve software para os outros.
Problema número 4: Desenhado para o Designer
Na indústria automobilística, vcoê raramente encontrará a mesma pessoa projetando o motor e o interior do carro: estas atividades demandam diferentes tipos de conhecimentos. Ninguém quer um motor que apenas aparente ser rápido, assim como ninguém quer um interior de carro que funcione estupendamente mas que seja desconfortável e feio. E da mesma forma, na indústria de software, a interface de usuário não é normalmente criada pela pessoa que escreveu o software.
No mundo do Linux, entretanto, não é exatamente este o caso: os projetos frequentemente começam como sendo o brinquedinho de apenas uma pessoa. Ele mesmo faz tudo, e consequentemente a interface não tem necessidade de qualquer tipo de feature em “amigabilidade“: o usuário sabe tudo o que se há pra saber sobre o software, não precisa de ajuda. O editor vi é um bom exemplo de software deliberadamente escrito para um usuário que já sabe como ele funciona. Não é desconhecido que usuários novatos reiniciam seus computadores porque não conseguem imaginar o que deve ser feito para sair do vi.
Entretanto, há uma diferença importante entre um programador de software livre open source [FOSS] e a maioria dos desenvolvedores de software comercial: o software que um programador de software livre open source criou é um software que ele planejou para uso próprio. Então, enquanto o resultado final pode não ser “confortável” para o usuário novato, eles [os programadores] podem ter o consolo de saber que o software é feito por alguém que sabe das necessidades do usuário final pois: ele também é um usuário final. Isso é muito diferente do programador de software comercial, que está fazendo software para outras pessoas usarem: Eles não estão bem informados das necessidades dos usuários finais.
Se por um lado o vi tem uma interface intimidadoramente feia para usuários novatos, mas ainda é usado hoje é porque possui uma interface soberba uma vez que você saiba como usá-lo. O Firefox foi criado por pessoas que navegam na web regularmente. O Gimp foi criado por pessoas que o usam para manipular imagens. E assim sucessivamente.
Então, frequentemente as interfaces do Linux são um pouco intimidadoras para os novatos: a despeito de sua popularidade, o vi pode nunca ser usado por um usuário novato para rapidamente editar um arquivo de texto. E se você está usando software deste modelo de desenvolvimento a pouco tempo, uma polida e amigável interface é algo que você provavelmente só vai encontrar em listas de “Coisa a fazer“: funcionalidade está em primeiro lugar. Ninguém projeta uma interface matadora e então tenta adicionar funcionalidades bit a bit. Cria-se a funcionalidade, e então melhora-se a interface bit a bit.
Contra o problema número 4: procure por software que seja especificamente focado em ser fácil de operar por usuários novatos, ou experimente algum software que exija uma curva de aprendizado maior do que a que você está afeito. Reclamar que o vi não é amigável o suficiente para os novos usuários é ser ridicularizado por perder o ponto principal.
Linux não é Windows – 3 de 7
Abaixo, a terceira parte deste texto aqui, traduzida e adaptada por mim. Há algumas notas entre colchetes, que são notas de tradução, e algumas expressões adaptadas da melhor forma possível em português, que não fariam o menor sentido se traduzidas literalmente. Boa leitura.
Problema número 3: Choque de culturas
sub-problema número 3a: Há uma cultura
Usuários de Windows estão mais ou menos num relacionamento com o desenvolvedor-fornecedor: Eles pagam pelo software, pro garantias, por suporte, e todo o resto. Eles esperam que o software tenham um certo nível de usabilidade. Eles estão, conseqüentemente, acostumados aos seus direitos sobre o software: pagaram por suporte técnico, e têm todo o direito de recebê-lo. Eles também estão acostumados a lidar melhor com entidades que com pessoas: seu contrato é com uma empresa, não com uma pessoa.
Usuários de Linux estão mais afeitos à comunidade. Não têm de comprar software, não têm de pagar por suporte técnico. Eles baixam o software gratuitamente e usam o IM [instant messenger - mensageiro instantâneo] e fóruns da web para conseguir ajuda. Eles lidam com pessoas, não com corporações.
Um usuário de Windows não será bem acolhido comportando-se de sua forma habitual no Linux, isso pra falar de um modo mais suave.
A maior causa dos atritos tende a ser nas interações online: um usuário do tipo “3a” no Linux pede ajuda a respeito de um problema que está tendo. Quando ele não consegue ajuda com algo que ele considera ser comum, ele começa a se queixar e pedir mais ajuda. Pois é isso que ele está acostumado a fazer no suporte técnico pago. O problema é que este não é um suporte técnico pago. É um bando de voluntário com vontade de ajudar pessoas com problemas, fora da boa vontade de seus corações. Usuários novatos não tem direito de pedir coisa alguma à eles, assim como alguém que esteja coletando doações para caridade não pode pedir mais doações de seus colaboradores.
Dito de outra forma, usuários de Windows estão acostumados a usar software comercial. As companhias não lançam softwares até que estejam confiáveis, funcionais e amigáveis o suficiente. E é isto que os usuários de Windows tendem a esperar de um software: ele começa na versão 1.0. Softwares como o Linux, entretanto, tendem a ser lançados praticamente assim que acabam de serem escritos: começam na versão 0.1. Desse modo, pessoas que realmente necessitam desta funcionalidade podem ter o software assim que for possível [ASAP], desenvolvedores interessados podem ajudar no teste do código; e a comunidade como um todo fica por dentro do que está acontecendo.
Se um usuário do tipo “3a” encontra um problema pela frente, vai reclamar: o software não está à sua altura, e ele se acha no direito de esperar que seu padrão de exigência seja seguido. Seu lamento não será refutado se obtiver uma resposta sarcástica como “se eu fosse você pediria um reembolso”.
Contra o problema 3a: simplesmente se lembre que você não pagou ao desenvolvedor que escreveu o software, ou que as pessoas online que estão te provendo o suporte. Eles não devem nada a você.
Sub-problema 3b: Novo versus Velho
O Linux nasceu como sendo um hobby de um hacker. Ele cresceu conforme atraía outros hackers com este mesmo hobby. Passou-se algum tempo até que ninguém menos que um geek estudasse a possibilidade de uma instalação Linux funcionar de maneira fácil. O Linux começõu como sendo “de geeks para geeks“. E até hoje, a maioria dos usuários “firmes” de Linux se auto-proclamam geeks.
Essa é uma coisa muito boa: se você tiver um problema de hardware ou software, tendo um grande número de geeks disponíveis para trabalhar na solução de seu problema, isto é definido como sendo uma vantagem.
Mas o Linux cresceu muito desde seus primeiros dias. Há distros que praticamente qualquer pessoa consegue instalar, e aquelas que rodam a partir de CDs e detectam todo o seu hardware sem qualquer intervenção. Isso se torna um atrativo para aqueles usuários que não o querem como um hobby, mas por ele ser livre de vírus e com custo baixo de atualização. Não é raro encontrar atritos entre estes dois lados. Mas de qualquer modo é importante manter em mente que não há mal em nenhum destes lados: é a falta de entendimento que causa problemas.
Primeiramente, você tem os geeks experientes que continuam afirmando que quem usa Linux é um companheiro geek. Isso significa que eles esperam um alto nível de conhecimento, e freqüentemente são acusados de arrogância, elitismo e má educação. E na verdade, algumas vezes isso é realmente verdade. Mas em outras não: Elitista é dizer “Todo mundo tem que saber isso“. Não é elitista dizer “Todo mundo sabe isso” – praticamente o oposto.
Em segundo lugar, temos o usuário novato que está tentando fazer a troca depois de uma vida inteira usando sistema operacional comercial. Estes usuários estão acostumados com software no qual qualquer um pode sentar & usar, out-of-the-box.
O problema aparece porque o primeiro grupo é composto por pessoas que se divertem destrinchando seu sistema e o reconstruindo do modo como queiram, enquanto que o segundo grupo é composto por pessoas as quais não faz diferença o modo como o sistema funciona, contanto que funcione.
Uma parábola que pode enfatizar os problemas é o Lego. Imagine a situação:
Novo: Eu queria um carrinho de brinquedo novo, e todo mundo me disse sobre como os carros de Lego são legais. Então eu comprei um Lego, mas quando cheguei em casa, só tinha um monte de peças, blocos e materiais na caixa. Cadê meu carro??
Velho: Você tem que fazer o carrinho com o Lego. É aí que está.
Novo: Quê?? Eu não sei como contruir um carrinho, eu não sou um mecânico, como vou saber onde colocar cada peça?
Velho: Há um manual que vem na caixa. Elas dizem exatamente como juntar cada peça para fazer um carrinho. Não precisa saber como, é só seguir as instruções.
Novo: Ok, já encontrei as instruções. Vai me tomar horas! Porque eles simplesmente não me mandam o carrinho pronto ao invés de mandarem as peças para eu contruir?
Velho: Porque nem todo mundo quer fazer um carrinho com Lego. Ele pode se trasformar em qualquer coisa que queiramos. É aí que está.
Novo: Ainda não vejo porque eles não podem atender as pessoas que querem um carrinho e também vender com as peças todas soltas pra quem quiser assim. De qualquer forma, finalmente consegui montar, mas tem algumas partes fora do lugar. O que posso fazer a respeito? Posso colar?
Velho: Isso é Lego. Foi feito para vir com as peças separadas. É aí que está.
Novo: Mas eu não quero as peças separadas. Eu só quero um carrinho!
Velho: Então porque é que você comprou uma caixa de Lego, criatura??
É lógico pra todo mundo que o lego não foi feito para ser somente um carrinho. Você não encontrará diálogos como o de cima na vida real. O legal do Lego é que você se diverte montando com ele, e você pode montar o que quiser com ele. Se você não tem interesse em construir nada, o Lego não é pra você. É um tanto óbvio.
Assim, os usuários de Linux de longa data concordam que o mesmo se aplica ao Linux: ele é open-source, totalmente customizável. É aí que está. Se você não quer explorar cada componente, porque está querendo usá-lo?
Mas ultimamente há um grande esforço para tornar o Linux mais próximo dos usuários não-hackers, uma situação que não está muito longe dos kits pré-moldados de Lego, no sentido de torná-lo mais atrativo à um numero maior de usuários. Você pode encontrar diálogos não muito distantes do daí de cima: Novatos reclamam de coisas que usuários experimentados acham fundamentais, e se recusam a ler o manual para fazer algo funcionar. Mas se quixar de que há muitas distros; ou que o software tem muitas opções de configuração, ou que ele não é perfeitamente pronto pra usar, é como reclamar que o Lego pode ser montado de diferentes formas e não gostar do fato que ele pode ser desmontado e reconstruído do modo como se quiser.
Solucionando o problema 3b: Apenas lembre que o que o Linux parece ser agora não é o que o Linux foi no passado. A maior e principal parte da comunidade do Linux, ouseja, hackers e desenvolvedores, gostam do Linux porque podem moldá-lo juntos da forma como bem entenderem; ele não gostam dele por causa da dificuldade em ter de construí-lo antes de usá-lo.
Linux não é Windows – 2 de 7
Esta é a continuação da tradução deste texto aqui. Nesta parte, o autor mostra com alguns exemplos práticos que o Linux e o Windows são sistemas operacionais com basicamente a mesma função, que apenas no caso do Windows, tentam fazer fazem as mesmas coisas de maneiras diferentes, e que nem sempre ser usuário experiente de um sistema o torna experiente no outro.
Problema número 2: Linux é muito diferente do Windows
O próximo ocorre quando as pessoas esperam que o Linux seja diferente, mas decobrem que algumas diferenças são muito mais radicais do que gostariam. Provavelmente o maior exemplo disso é a vasta possibilidade de escolha dos usuários de Linux. Enquanto um usuário out-of-the-box de Windows tem um desktop Classic ou XP com Wordpad, Internet Explorer, e Outlook Express instalados, um usuário Linux out-of-the-box tem centenas de distros para escolher, com GNOME, ou KDE, ou seja lá qual for, com vi ou emacs ou kate, Konqueror ou Opera ou Firefox ou Mozilla, e assim sucessivamente.
Um usuário de Windows não está habituado a fazer muitas escolhas para pegar &usar. Posts exasperados com o tema “Para quê tanta opção?” são bem comuns.
O Linux tem que ser tão diferente do Windows? Além do mais, os dois são sistemas operacionais. Os dois fazem o mesmo trabalho: fazem seu computador funcionar & te dão algo no qual rodar aplicativos. Será que eles têm de ser mais ou menos idênticos mesmo?
Veja o seguinte: vá para fora e dê uma olhada em todos os diferentes veículos que circulam pelas ruas. Todos estes veículos são projetados para mais ou menos o mesmo propósito: levar você do ponto A ao ponto B através das ruas. Note a variedade nos projetos/designs.
Mas, você pode estar pensando, as diferenças entre os carros são realmente muito menores: todos eles têm um volante, pedais, um câmbio, um freio de mão, janelas & portas e um tanque de combustível… Se você conseguir dirigir um carro, conseguirá dirigir qualquer um!
Perfeitamente verdadeiro. Mas você não viu que algumas pessoas não estão dirigindo carros, e ao invés disso estão dirigindo motos…?
Mudar de uma versão do Windows para outra é igual trocar de carro. Do Windows 95 para o Windows 98, eu honestamente não sei dizer a diferença. Do Windows 98 para o Windows XP, foi uma grande mudança, mas não foi nada realmente significativa.
Mas mudar do Windows para o Linux é como trocar um carro por uma moto. Os dois podem ser sistemas operacionais/veículos automotivos. Os dois podem usar o mesmo hardware/rodovia. Os dois podem lhe proporcionar um meio de rodar aplicativos/transportar do ponto A para o ponto B. Mas os dois usam diferentes formas de fazerem estas coisas.
Windows/carros não estão livres de virus/furtos a menos que você instale um antivirus/tranque as portas. Linux/motos não têm vírus/portas mas são perfeitamente seguros sem você ter instalado um antivírus/trancado as portas.
Ou então veja de uma outra forma:
Linux/carros foram projetados para multiplos usuários/passageiros. Windows/motos foram projetados para apenas um usuário/passageiro. Todo usuário de Windows/motoqueiro está acostumado a ter total controle de seu computador/veículo o tempo todo. Um usuário de Linux/passageiro de carro está acostumado a ter controle de seu computador/veículo somento quando logado como root/sentado no banco do motorista.
Dois diferentes modos de atingir o mesmo alvo. Eles diferem em pontos fundamentais. Eles têm diferentes forças e diferentes fraquezas: um carro é certamente a melhor maneira de transportar uma família e um monte de bagagem do ponto A ao ponto B: mais assentos e mais espaço de armazenagem. Uma moto é certamente a melhor maneira de se transportar uma pessoa do ponto A ao ponto B: sofre menos com congestionamento e usa menos combustível.
Há muitas coisas que não mudam quando você faz uma troca entre carros e motos: você ainda tem de encher o tanque, ainda tem de andar pelas mesmas pistas, ainda tem de obedecer os semáforos e as placas de “pare”, ainda tem de dar a seta quando for virar, ainda tem de obedecer os mesmos limites de velocidade.
Mas também há muitas coisas que vão mudar: motoristas de carros não precisam de capacetes, motoqueiros não precisam de cinto de segurança. Motoristas de carro devem girar o volante para virar uma esquina, motoqueiros devem se inclinar para o lado. Motoristas de carro aceleram usando pedais, motoqueiros aceleram usando um controle manual.
Um motoqueiro que tenta virar uma esquina sem se inclinar terá problemas em pouco tempo. E usuários de Windows que tenta usar seus conhecimentos e hábitos existentes geralmente também se encontrarão em vários problemas. Na real, Windows “Power Users” frequentemente têm mais problemas com o Linux do que pessoas com pouca ou nenhuma experiência com computadores, exatamente por isso. Geralmente, os argumentos mais veementes do tipo “Linux ainda não está pronto para o desktop” vem de usuários de Windows que não criaram raízes, que argumentam que se nem eles conseguiram migrar, um usuário com menos experiência não tem chance alguma. Mas este é o exato oposto da verdade.
Então, para eliminar o problema número dois: Não pense que ser um usuário de Windows experiente significa que você é um usuário experiente de Linux: Na primeira vez que você começar com o Linux, você será um iniciante.
Linux não é Windows – 1 de 7
O texto abaixo é uma adaptação minha da primeira parte deste texto aqui. Nele, o autor discorre sobre como o Linux é diferente do Windows e de como isso não é um problema. Vou ir traduzindo-o aos poucos e, conforme essa tradução for acontecendo, eu vou postando aqui. É um texto muito interessante e concistente, que vale a leitura.
Se você chegou a esta página, há chances de você ser um usuário de Linux relativamente novo que está tendo problemas na migração do Windows para o Linux. Esse é um problema p[ara muitas pessoas, e é por causa disso que este artigo foi escrito. Muitos problemas individuais surgem em decorrência deste único problema, mas o artigo está dividido em múltiplas áreas de ploblemas.
Problema número 1: Linux não é exatamente a mesma coisa que o Windows
Você ficaria admirado com a quantidade de pessoas que acha isso ruim. Eles vêm para o Linux, esperando encontrar essencialmente uma versão livre e gratuíta do Windows. Na maioria das vezes, isso é o que lhe disseram usuários de Linux muito zelosos. Entretanto, é uma esperança paradoxal.
As razões específicas do porquê de as pessoas testarem o Linux variam bastante, mas a maior delas costuma está em um ponto: Elas esperam que o linux seja melhor que o Windows. Critérios de medida comuns para este sucesso é o custo, escolha, performance, e segurança. Há vários outros. Mas todo usuário de Windows que testa o Linux, o faz porque espera que ele seja melhor do que o que está usando no momento.
É aí que está o problema.
É logicamente impossível para qualquer coisa ser melhor que outra da qual é totalmente idêntica. Uma cópia perfeita deve ser equivalente, mas nunca poderá ultrapassa-la. Mas quando você testa o Linux na esperança de que será melhor, você está inescapavelmente esperando que será diferente. Muitas pessoas ignoram este fato, e destacam cada diferençaa entre os dois sistemas operacionais como sendo uma falha do Linux.
Como um exemplo simples, considere as atualizações de drivers: um tipicamente atualiza um driver de hardware indo no site do fabricante ebaixando o novo driver, enquanto que no Linux você atualiza o kernel.
Isso significa que um simples download & upgrade no linux te dá as mais novas versões de drivers disponíveis para sua máquina, enquanto que no Windows você tem que surfar pela web procurando e baixando cada atualização individualmente. É um processo bem diferente, mas certamente não é ruim. Mas muitas pessoas acham um problema, pois não é o que estão acostumadas a fazer.
Ou, um outro exemplo com o qual você deve estar mais afeito, considere o Firefox: um dos maiores sucessos em termos de open-source da história. Um navegador que tomou o mundo de assalto. Ele alcançou este sucesso sendo uma perfeita imitação do Internet Explorer, o navegador-mais-popular?
Não. Ele alcançou este sucesso por ser melhor que o IE, e é melhor por ser diferente. Ele tem navegação por abas, bookmarks em tempo real, barra de busca embutida, suporte a PNG, extensões para bloquear anúncios, entre outras coisas maravilhosas. A ferramenta de “Busca” fica na barra de ferramentas ao rodapé e procura pelos resultados enquanto você está digitando, e fica vermelha quando não encontra nada. O IE não tem navegação por abas, não tem RSS, barras de busca só com extensões produzidas por terceiros, uma caixa de diálogo de busca que requere que se clique no “OK” para começar a procurar e outro clique no “OK” para apagar a mensagem de “não encontrado”. Uma clara e indiscutível demonstração de um aplicativo open-source que tem alcançando sucesso por ser melhor, e sendo melhor por ser diferente. Ter o Firefox como um clone do IE é varrê-lo para a obscuridade. E ter o Linux como um clone do Windows é a mesma coisa.
Solução para o problema número um: Lembrar que onde o Linux é familiar e da mesma forma você estiver acostumado a ele, isso não é novo & melhorado. Bem vindo a um lugar onde as coisas são diferentes, pois somente aqui elas tem uma chance de brilhar.