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Linux não é Windows – parte 6 de 7

Enviado em filosofia open source por Fabiane em Abril 19, 2007

Aqui vai mais uma parte da tradução do texto “Linux is NOT Windows”. Já avisando que esta não é uma tradução minha, mas como ela está sob uma licença Creative Commons que permite cópia, distribuição e trabalhos derivados, eventualmente pode haver algum trecho adaptado.

Problema #6: Imitação versus Convergência

Um argumento muito usado pelas pessoas quando elas descobrem que o Linux não é um clone do Windows no qual elas insistem é que é isso que o Linux tem tentado ser (ou deveria ter tentado) desde que foi criado e que estão erradas essas pessoas que não reconhecem isso e não ajudam o Linux ser mais “Windows-like”. Eles tem muitos argumentos para isso:

O Linux veio da interface de linha de comando para a interface gráfica, uma tentativa clara de copiar o Windows.

Bela teoria, mas falsa: O sistema X original foi liberado em 1984, como sucessor do sistema W portado para o UNIX em 1983. O Windows 1.0 foi liberado em 1985. O Windows não foi considerado seriamente até a versão 3, liberada em 1990 – nesta época, o X Windows já estava há anos no estágio X11 que é usado até hoje. O Linux só apareceu em 1991. Então, o Linux não criou uma interface gráfica para copiar o Windows: ele simplesmente fez uso de uma que existia muito antes do Windows aparecer.

O Windows 3 mostrou o caminho para o Windows 95 – trazendo grandes inovações na Interface Gráfica que a Microsoft não igualou desde então. Ele trouxe novos & inovadores recursos: funcionalidade de Arrastar & Soltar; Barras de Tarefas e muitas outras. Todas elas obviamente copiadas pelo Linux.

Realmente. . . não. Todos os recursos acima existiam antes da Microsoft fazer uso deles. O NeXTSTeP em particular foi um avanço enorme (para a época) e é significativamente anterior ao Windows 95 – a versão 1 foi liberada em 1989 e a versão final em 1995.

Ok, Ok, então a Microsoft não foi a criadora original dos recursos que nós pensamos que seja o estilo Windows. Mas ela criou um estilo e o Linux vem tentando imitá-lo desde então.

Para ridicularizar isso, deveríamos discutir o conceito de evolução convergente. Isto é, como dois sistemas completamente diferentes e independentes desenvolvem-se ao longo do tempo tornando-se muito similares. Acontece o tempo todo em biologia. Por exemplo, tubarões e golfinhos. Ambos são (tipicamente) organismos marinhos comedores de peixes com o mesmo tamanho. Ambos têm nadadeiras dorsais e peitorais, caudas e perfis aerodinâmicos similares.

Entretanto, os tubarões evoluíram de peixes, enquanto os golfinhos evoluíram de um mamífero quadrúpede terreno. A razão de terem uma aparência muito similar é que ambos evoluíram para serem tão eficientes quanto possível para viverem em um ambiente marinho. Em nenhum estágio os pré-golfinhos olharam para os tubarões e pensaram “Wow, olhe essas nadadeiras. Elas funcionam bem. Vou tentar evoluir da mesma forma!”

Similarmente, é perfeitamente verdadeiro que os desktops antigos do Linux como o FVWM e o TWM eram interfaces gráficas simplistas. E que os desktops modernos como o Gnome & e o KDE com suas barras de tarefas e menus são visualmente atraentes. E sim, é verdade que eles são muito mais parecidos com o Windows do que costumavam ser.

O Windows 3.0 não tinha barras de tarefas que eu me lembre. E o menu Iniciar? Qual menu Iniciar?

O Linux não tinha um desktop moderno como o Windows. Nem a Microsoft também. Agora ambos têm. O que isso quer dizer?

Quer dizer que os desenvolvedores de ambos os campos procuraram formas de melhorar a Interface Gráfica, e porque existem somente um número limitado de soluções para o problema, ambos usaram métodos muito similares. Similaridade não prova ou implica imitação de forma nenhuma. Relembrar disso ajudará você a evitar perder-se no território do problema #6.