Em breve
Pequena pausa na série Linux não é Windows. Antes que o novo (e, por enquanto, único) colaborador deste blog comece a postar, gostaria de listar algumas coisas que gostaria de trazer a este blog, que por sinal está entregue às moscas – novidades!
- Abordagem de outros assuntos além de design, relacionados a software livre
- Tutoriais
- Fichamentos de livros que ando lendo sobre o assunto
- Traduções de artigos (como a que já está sendo feita do artigo Linux is not Windows)
- Resenhas de livros
Sobre o novo colaborador: Ele se chama Caio e eu o conheci através da comunidade Linux vs Windows. Inteligente pra caramba, não tem opinião extremista sobre open source e afins (i.e., não é um xiita), já tem alguns ótimos artigos prontos pra postar aqui e escreve muito bem. Quando ele começar a escrever aqui, vocês vão ver.
Bom, pra não dizer que não teve nenhum conteúdo relevante nesta postagem, seguem abaixo alguns screenshots do Blender, software de modelagem, animação e edição que eu AMO e adotei como padrão na minha estação gráfica Linux aqui em casa
É isso aí! Até a próxima.
Linux não é Windows – 4 de 7
Esta é mais uma parte da tradução deste texto aqui. Nesta parte, o autor fala sobre como o desenvolvedor open source sabe das necessidades do usuário final pois ele também é um deles e desenvolve o software para seu próprio uso, enquanto que o desenvolvedor proprietário desenvolve software para os outros.
Problema número 4: Desenhado para o Designer
Na indústria automobilística, vcoê raramente encontrará a mesma pessoa projetando o motor e o interior do carro: estas atividades demandam diferentes tipos de conhecimentos. Ninguém quer um motor que apenas aparente ser rápido, assim como ninguém quer um interior de carro que funcione estupendamente mas que seja desconfortável e feio. E da mesma forma, na indústria de software, a interface de usuário não é normalmente criada pela pessoa que escreveu o software.
No mundo do Linux, entretanto, não é exatamente este o caso: os projetos frequentemente começam como sendo o brinquedinho de apenas uma pessoa. Ele mesmo faz tudo, e consequentemente a interface não tem necessidade de qualquer tipo de feature em “amigabilidade“: o usuário sabe tudo o que se há pra saber sobre o software, não precisa de ajuda. O editor vi é um bom exemplo de software deliberadamente escrito para um usuário que já sabe como ele funciona. Não é desconhecido que usuários novatos reiniciam seus computadores porque não conseguem imaginar o que deve ser feito para sair do vi.
Entretanto, há uma diferença importante entre um programador de software livre open source [FOSS] e a maioria dos desenvolvedores de software comercial: o software que um programador de software livre open source criou é um software que ele planejou para uso próprio. Então, enquanto o resultado final pode não ser “confortável” para o usuário novato, eles [os programadores] podem ter o consolo de saber que o software é feito por alguém que sabe das necessidades do usuário final pois: ele também é um usuário final. Isso é muito diferente do programador de software comercial, que está fazendo software para outras pessoas usarem: Eles não estão bem informados das necessidades dos usuários finais.
Se por um lado o vi tem uma interface intimidadoramente feia para usuários novatos, mas ainda é usado hoje é porque possui uma interface soberba uma vez que você saiba como usá-lo. O Firefox foi criado por pessoas que navegam na web regularmente. O Gimp foi criado por pessoas que o usam para manipular imagens. E assim sucessivamente.
Então, frequentemente as interfaces do Linux são um pouco intimidadoras para os novatos: a despeito de sua popularidade, o vi pode nunca ser usado por um usuário novato para rapidamente editar um arquivo de texto. E se você está usando software deste modelo de desenvolvimento a pouco tempo, uma polida e amigável interface é algo que você provavelmente só vai encontrar em listas de “Coisa a fazer“: funcionalidade está em primeiro lugar. Ninguém projeta uma interface matadora e então tenta adicionar funcionalidades bit a bit. Cria-se a funcionalidade, e então melhora-se a interface bit a bit.
Contra o problema número 4: procure por software que seja especificamente focado em ser fácil de operar por usuários novatos, ou experimente algum software que exija uma curva de aprendizado maior do que a que você está afeito. Reclamar que o vi não é amigável o suficiente para os novos usuários é ser ridicularizado por perder o ponto principal.
Linux não é Windows – 3 de 7
Abaixo, a terceira parte deste texto aqui, traduzida e adaptada por mim. Há algumas notas entre colchetes, que são notas de tradução, e algumas expressões adaptadas da melhor forma possível em português, que não fariam o menor sentido se traduzidas literalmente. Boa leitura.
Problema número 3: Choque de culturas
sub-problema número 3a: Há uma cultura
Usuários de Windows estão mais ou menos num relacionamento com o desenvolvedor-fornecedor: Eles pagam pelo software, pro garantias, por suporte, e todo o resto. Eles esperam que o software tenham um certo nível de usabilidade. Eles estão, conseqüentemente, acostumados aos seus direitos sobre o software: pagaram por suporte técnico, e têm todo o direito de recebê-lo. Eles também estão acostumados a lidar melhor com entidades que com pessoas: seu contrato é com uma empresa, não com uma pessoa.
Usuários de Linux estão mais afeitos à comunidade. Não têm de comprar software, não têm de pagar por suporte técnico. Eles baixam o software gratuitamente e usam o IM [instant messenger - mensageiro instantâneo] e fóruns da web para conseguir ajuda. Eles lidam com pessoas, não com corporações.
Um usuário de Windows não será bem acolhido comportando-se de sua forma habitual no Linux, isso pra falar de um modo mais suave.
A maior causa dos atritos tende a ser nas interações online: um usuário do tipo “3a” no Linux pede ajuda a respeito de um problema que está tendo. Quando ele não consegue ajuda com algo que ele considera ser comum, ele começa a se queixar e pedir mais ajuda. Pois é isso que ele está acostumado a fazer no suporte técnico pago. O problema é que este não é um suporte técnico pago. É um bando de voluntário com vontade de ajudar pessoas com problemas, fora da boa vontade de seus corações. Usuários novatos não tem direito de pedir coisa alguma à eles, assim como alguém que esteja coletando doações para caridade não pode pedir mais doações de seus colaboradores.
Dito de outra forma, usuários de Windows estão acostumados a usar software comercial. As companhias não lançam softwares até que estejam confiáveis, funcionais e amigáveis o suficiente. E é isto que os usuários de Windows tendem a esperar de um software: ele começa na versão 1.0. Softwares como o Linux, entretanto, tendem a ser lançados praticamente assim que acabam de serem escritos: começam na versão 0.1. Desse modo, pessoas que realmente necessitam desta funcionalidade podem ter o software assim que for possível [ASAP], desenvolvedores interessados podem ajudar no teste do código; e a comunidade como um todo fica por dentro do que está acontecendo.
Se um usuário do tipo “3a” encontra um problema pela frente, vai reclamar: o software não está à sua altura, e ele se acha no direito de esperar que seu padrão de exigência seja seguido. Seu lamento não será refutado se obtiver uma resposta sarcástica como “se eu fosse você pediria um reembolso”.
Contra o problema 3a: simplesmente se lembre que você não pagou ao desenvolvedor que escreveu o software, ou que as pessoas online que estão te provendo o suporte. Eles não devem nada a você.
Sub-problema 3b: Novo versus Velho
O Linux nasceu como sendo um hobby de um hacker. Ele cresceu conforme atraía outros hackers com este mesmo hobby. Passou-se algum tempo até que ninguém menos que um geek estudasse a possibilidade de uma instalação Linux funcionar de maneira fácil. O Linux começõu como sendo “de geeks para geeks“. E até hoje, a maioria dos usuários “firmes” de Linux se auto-proclamam geeks.
Essa é uma coisa muito boa: se você tiver um problema de hardware ou software, tendo um grande número de geeks disponíveis para trabalhar na solução de seu problema, isto é definido como sendo uma vantagem.
Mas o Linux cresceu muito desde seus primeiros dias. Há distros que praticamente qualquer pessoa consegue instalar, e aquelas que rodam a partir de CDs e detectam todo o seu hardware sem qualquer intervenção. Isso se torna um atrativo para aqueles usuários que não o querem como um hobby, mas por ele ser livre de vírus e com custo baixo de atualização. Não é raro encontrar atritos entre estes dois lados. Mas de qualquer modo é importante manter em mente que não há mal em nenhum destes lados: é a falta de entendimento que causa problemas.
Primeiramente, você tem os geeks experientes que continuam afirmando que quem usa Linux é um companheiro geek. Isso significa que eles esperam um alto nível de conhecimento, e freqüentemente são acusados de arrogância, elitismo e má educação. E na verdade, algumas vezes isso é realmente verdade. Mas em outras não: Elitista é dizer “Todo mundo tem que saber isso“. Não é elitista dizer “Todo mundo sabe isso” – praticamente o oposto.
Em segundo lugar, temos o usuário novato que está tentando fazer a troca depois de uma vida inteira usando sistema operacional comercial. Estes usuários estão acostumados com software no qual qualquer um pode sentar & usar, out-of-the-box.
O problema aparece porque o primeiro grupo é composto por pessoas que se divertem destrinchando seu sistema e o reconstruindo do modo como queiram, enquanto que o segundo grupo é composto por pessoas as quais não faz diferença o modo como o sistema funciona, contanto que funcione.
Uma parábola que pode enfatizar os problemas é o Lego. Imagine a situação:
Novo: Eu queria um carrinho de brinquedo novo, e todo mundo me disse sobre como os carros de Lego são legais. Então eu comprei um Lego, mas quando cheguei em casa, só tinha um monte de peças, blocos e materiais na caixa. Cadê meu carro??
Velho: Você tem que fazer o carrinho com o Lego. É aí que está.
Novo: Quê?? Eu não sei como contruir um carrinho, eu não sou um mecânico, como vou saber onde colocar cada peça?
Velho: Há um manual que vem na caixa. Elas dizem exatamente como juntar cada peça para fazer um carrinho. Não precisa saber como, é só seguir as instruções.
Novo: Ok, já encontrei as instruções. Vai me tomar horas! Porque eles simplesmente não me mandam o carrinho pronto ao invés de mandarem as peças para eu contruir?
Velho: Porque nem todo mundo quer fazer um carrinho com Lego. Ele pode se trasformar em qualquer coisa que queiramos. É aí que está.
Novo: Ainda não vejo porque eles não podem atender as pessoas que querem um carrinho e também vender com as peças todas soltas pra quem quiser assim. De qualquer forma, finalmente consegui montar, mas tem algumas partes fora do lugar. O que posso fazer a respeito? Posso colar?
Velho: Isso é Lego. Foi feito para vir com as peças separadas. É aí que está.
Novo: Mas eu não quero as peças separadas. Eu só quero um carrinho!
Velho: Então porque é que você comprou uma caixa de Lego, criatura??
É lógico pra todo mundo que o lego não foi feito para ser somente um carrinho. Você não encontrará diálogos como o de cima na vida real. O legal do Lego é que você se diverte montando com ele, e você pode montar o que quiser com ele. Se você não tem interesse em construir nada, o Lego não é pra você. É um tanto óbvio.
Assim, os usuários de Linux de longa data concordam que o mesmo se aplica ao Linux: ele é open-source, totalmente customizável. É aí que está. Se você não quer explorar cada componente, porque está querendo usá-lo?
Mas ultimamente há um grande esforço para tornar o Linux mais próximo dos usuários não-hackers, uma situação que não está muito longe dos kits pré-moldados de Lego, no sentido de torná-lo mais atrativo à um numero maior de usuários. Você pode encontrar diálogos não muito distantes do daí de cima: Novatos reclamam de coisas que usuários experimentados acham fundamentais, e se recusam a ler o manual para fazer algo funcionar. Mas se quixar de que há muitas distros; ou que o software tem muitas opções de configuração, ou que ele não é perfeitamente pronto pra usar, é como reclamar que o Lego pode ser montado de diferentes formas e não gostar do fato que ele pode ser desmontado e reconstruído do modo como se quiser.
Solucionando o problema 3b: Apenas lembre que o que o Linux parece ser agora não é o que o Linux foi no passado. A maior e principal parte da comunidade do Linux, ouseja, hackers e desenvolvedores, gostam do Linux porque podem moldá-lo juntos da forma como bem entenderem; ele não gostam dele por causa da dificuldade em ter de construí-lo antes de usá-lo.
Linux não é Windows – 2 de 7
Esta é a continuação da tradução deste texto aqui. Nesta parte, o autor mostra com alguns exemplos práticos que o Linux e o Windows são sistemas operacionais com basicamente a mesma função, que apenas no caso do Windows, tentam fazer fazem as mesmas coisas de maneiras diferentes, e que nem sempre ser usuário experiente de um sistema o torna experiente no outro.
Problema número 2: Linux é muito diferente do Windows
O próximo ocorre quando as pessoas esperam que o Linux seja diferente, mas decobrem que algumas diferenças são muito mais radicais do que gostariam. Provavelmente o maior exemplo disso é a vasta possibilidade de escolha dos usuários de Linux. Enquanto um usuário out-of-the-box de Windows tem um desktop Classic ou XP com Wordpad, Internet Explorer, e Outlook Express instalados, um usuário Linux out-of-the-box tem centenas de distros para escolher, com GNOME, ou KDE, ou seja lá qual for, com vi ou emacs ou kate, Konqueror ou Opera ou Firefox ou Mozilla, e assim sucessivamente.
Um usuário de Windows não está habituado a fazer muitas escolhas para pegar &usar. Posts exasperados com o tema “Para quê tanta opção?” são bem comuns.
O Linux tem que ser tão diferente do Windows? Além do mais, os dois são sistemas operacionais. Os dois fazem o mesmo trabalho: fazem seu computador funcionar & te dão algo no qual rodar aplicativos. Será que eles têm de ser mais ou menos idênticos mesmo?
Veja o seguinte: vá para fora e dê uma olhada em todos os diferentes veículos que circulam pelas ruas. Todos estes veículos são projetados para mais ou menos o mesmo propósito: levar você do ponto A ao ponto B através das ruas. Note a variedade nos projetos/designs.
Mas, você pode estar pensando, as diferenças entre os carros são realmente muito menores: todos eles têm um volante, pedais, um câmbio, um freio de mão, janelas & portas e um tanque de combustível… Se você conseguir dirigir um carro, conseguirá dirigir qualquer um!
Perfeitamente verdadeiro. Mas você não viu que algumas pessoas não estão dirigindo carros, e ao invés disso estão dirigindo motos…?
Mudar de uma versão do Windows para outra é igual trocar de carro. Do Windows 95 para o Windows 98, eu honestamente não sei dizer a diferença. Do Windows 98 para o Windows XP, foi uma grande mudança, mas não foi nada realmente significativa.
Mas mudar do Windows para o Linux é como trocar um carro por uma moto. Os dois podem ser sistemas operacionais/veículos automotivos. Os dois podem usar o mesmo hardware/rodovia. Os dois podem lhe proporcionar um meio de rodar aplicativos/transportar do ponto A para o ponto B. Mas os dois usam diferentes formas de fazerem estas coisas.
Windows/carros não estão livres de virus/furtos a menos que você instale um antivirus/tranque as portas. Linux/motos não têm vírus/portas mas são perfeitamente seguros sem você ter instalado um antivírus/trancado as portas.
Ou então veja de uma outra forma:
Linux/carros foram projetados para multiplos usuários/passageiros. Windows/motos foram projetados para apenas um usuário/passageiro. Todo usuário de Windows/motoqueiro está acostumado a ter total controle de seu computador/veículo o tempo todo. Um usuário de Linux/passageiro de carro está acostumado a ter controle de seu computador/veículo somento quando logado como root/sentado no banco do motorista.
Dois diferentes modos de atingir o mesmo alvo. Eles diferem em pontos fundamentais. Eles têm diferentes forças e diferentes fraquezas: um carro é certamente a melhor maneira de transportar uma família e um monte de bagagem do ponto A ao ponto B: mais assentos e mais espaço de armazenagem. Uma moto é certamente a melhor maneira de se transportar uma pessoa do ponto A ao ponto B: sofre menos com congestionamento e usa menos combustível.
Há muitas coisas que não mudam quando você faz uma troca entre carros e motos: você ainda tem de encher o tanque, ainda tem de andar pelas mesmas pistas, ainda tem de obedecer os semáforos e as placas de “pare”, ainda tem de dar a seta quando for virar, ainda tem de obedecer os mesmos limites de velocidade.
Mas também há muitas coisas que vão mudar: motoristas de carros não precisam de capacetes, motoqueiros não precisam de cinto de segurança. Motoristas de carro devem girar o volante para virar uma esquina, motoqueiros devem se inclinar para o lado. Motoristas de carro aceleram usando pedais, motoqueiros aceleram usando um controle manual.
Um motoqueiro que tenta virar uma esquina sem se inclinar terá problemas em pouco tempo. E usuários de Windows que tenta usar seus conhecimentos e hábitos existentes geralmente também se encontrarão em vários problemas. Na real, Windows “Power Users” frequentemente têm mais problemas com o Linux do que pessoas com pouca ou nenhuma experiência com computadores, exatamente por isso. Geralmente, os argumentos mais veementes do tipo “Linux ainda não está pronto para o desktop” vem de usuários de Windows que não criaram raízes, que argumentam que se nem eles conseguiram migrar, um usuário com menos experiência não tem chance alguma. Mas este é o exato oposto da verdade.
Então, para eliminar o problema número dois: Não pense que ser um usuário de Windows experiente significa que você é um usuário experiente de Linux: Na primeira vez que você começar com o Linux, você será um iniciante.

